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quinta-feira, 20 de outubro de 2016

O que mais me faz falta de nós dois sou eu.

Desde que você saiu pela minha porta, o que mais me fez falta não foi você, fui eu. Sinto saudade daquela garota que não tinha medo de nada. Falava pelos cotovelos, sorria por amar intensamente e se despia de preocupações, opiniões e roupas todo o fim de tarde com você. Já nem reconheço no espelho a mesma face que antigamente se olhava no reflexo da sua pia sem se importar com a maquiagem borrada ou apagada depois do banho. Era da mesma menina que falava sobre astrologia, futebol e gastronomia por horas seguidas, sem papas na língua, na companhia de alguém para ouvir e discutir com humor e uma panela de brigadeiro no sofá da sala. Eu era uma mistura de liberdade, amor e alegria por sair do casulo para, de fato, confiar e viver. Levava a vida ao ritmo de Maria Gadú, pulando ladrilhos na ponta da sapatilha ao som de "Gosto muito de você, leãozinho" e sorrindo em plenas segundas-feiras chuvosas e caóticas de Porto Alegre. Eu não precisava de mais nada, pois tinha a mim pela primeira vez e tinha você para me fazer cada vez mais eu. Vi meus defeitos, trejeitos, detalhes perfeitos, tudo isso por ti. Fechava os olhos e pensava que os problemas não tinham prioridade nem tempo, só você. Tampouco importava o que é que a gente tinha, contanto que continuasse tendo. Gostei de saber mais de mim. Era uma segurança que nenhum batom vermelho e tubinho preto de sábado à noite dariam. Nada me tirava da cabeça que: agora sim, eu estava completa. E como eu disse, era um amor compartilhado mesmo. Pois cada sorriso de canto que cê me dava refletia em minh'alma. E, cá pra nós, seu sorriso ilumina o dia de qualquer um! Por isso, o que eu mais sinto saudade mesmo é de tudo o que eu era, por estar com você. Cada segundo era livre, impulsivo, sem medo do que se podia pensar. Porque eu tinha a certeza absoluta: eramos eu e você sem roupa e sem vergonha, prontos pra preencher nosso espaço e se entrelaçar num encaixe perfeito no canto direito da cama. Só assim, eu soube o que era ser feliz por completo. É claro que o seu sorriso, suas costas largas, seus olhos verdes, tudo isso deixou saudade também. E se esquecer o amor por alguém dói o peito, esquecer o amor por alguém, o amor que leva um pedaço de si próprio, dói a alma. Mas desde que você se foi, foi assim. E parece que, por aquela porta, saiu como areia seca escorrendo voando com o vento a lembrança de nós. Era meu eu preferido indo embora de mim.